Imperatriz, Brasil.- Los “Desafíos Ambientales en la Amazonía” fue el tema del Seminario que se llevó a cabo del 10 al 12 de febrero, en la ciudad brasileña de Imperatriz (MA). El encuentro contó con la participación de alrededor 120 personas, entre líderes indígenas, sertaneros, ribereños, quilombolas, pescadores artesanales, rompedoras de coco, moradores de las ciudades, labradores, agentes de pastoral social, de la sociedad civil organizada, religiosas, religiosos, sacerdotes y obispos. 

Las reflexiones de este encuentro giraron en torno de la Carta Encíclica Laudato Si (Alabado seas) del papa Francisco, quien exhorta a cuidar y defender nuestra casa común, que está amenazada por la contaminación ambiental, el calentamiento global, los procesos extractivos mineros o petroleros, entre otras causas.

El Seminario fue promovido por la Comisión Episcopal para la Amazonia de la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil (CNBB), la Red Eclesial Pan-Amazónica (REPAM) y por la Regional Nordeste 5 de la CNBB.

El objetivo del Seminario fue tejer redes y establecer intercambios entre los pueblos de la selva, proponiendo debates para provocar la transformación de la realidad local frente a los impactos ambientales que la Amazonia viene sufriendo, así como sus pueblos.

Entre los aspectos que se abordaron se destacan la deforestación desenfrenada, la concentración de tierras en Maranhão, la contaminación de los ríos, las violaciones a los derechos humanos y de la naturaleza, en el contexto amazónico.

Al final del seminario se redactó la siguiente Carta Compromiso.

Carta Compromisso dos Participantes do Seminário Desafios Ambientais na Amazônia, em Imperatriz, Sul do Maranhão, dioceses de Balsas, Carolina, Grajaú, Imperatriz e Viana

Reunidos (as) em Imperatriz, às margens do rio Tocantins, nós, mulheres quebradeiras de coco, indígenas, quilombolas, lavradores (as), assentados (as), catadores (as) de materiais recicláveis, geraizeiros (as), pastorais sociais, sociedade civil organizada, leigos (as), religiosas (os), padres e bispos; 120 participantes do Seminário promovido pela Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e pelo Regional Nordeste 5, nos dias 10 a 12 de fevereiro de 2017, ouvimos os clamores da terra e dos povos da nossa Amazônia. O capital, sobrepondo-se ao bem viver, envenena rios e fontes, polui o ar, a terra e as águas, escraviza nossos irmãos e irmãs, incentiva o consumismo desenfreado, destrói a natureza, marginaliza os povos tradicionais, institui a monocultura, devasta nosso bem mais valioso que é a Vida.

Refletindo à luz dos ensinamentos da Encíclica Laudato Sì do papa Francisco, nos damos conta da necessidade de unirmos forças na luta comum, apoiados nos diálogos entre as pastorais sociais e os movimentos dos povos tradicionais. Somos, em nossa maioria, os/as oprimidos/as e afetados pelos grandes empreendimentos desenvolvimentistas que privilegiam poucos. Faz-se, portanto, urgente que nos reorganizemos, principalmente, na atual conjuntura pós-golpe, com perda de direitos adquiridos e da investida do governo num projeto de morte.

O aumento da exploração mineral e a expansão do agronegócio ameaçam a vida e a natureza. O programa federal MATOPIBA, que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ameaça destruir 73 milhões de hectares do bioma cerrado. Esse bioma é berço das águas, de riquíssima biodiversidade e há centenas de anos abriga populações tradicionais, como indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, pescadores e camponeses. O MATOPIBA é a expressão concreta da “complexa crise socioambiental”, a que o Papa Francisco se refere na Laudato Sì (LS, 139).

Precisamos fortalecer os movimentos sociais com uma nova ordem política, social, econômica e ambiental. No Maranhão já existem muitas articulações de forças vivas: povos tradicionais, pastorais sociais e movimentos populares, entre elas a TEIA. Estas iniciativas estão em perfeita consonância com a espiritualidade e as práticas propostas pela Laudato Sì, que afirma “tudo está interligado” (LS, 117).

Não podemos nos submeter à lógica do atual sistema de desenvolvimento econômico que exige o sacrifício de populações inteiras em favor de uma minoria. Quem mais tem, acredita precisar sempre mais. Nós queremos um envolvimento que respeite os povos e seus modos de existência, que nos faça reencontrar o nosso lugar na comunidade. Precisamos superar o individualismo e o descompasso das informações.

Cabe a nós o papel de cuidar da Criação, colaborando com Deus, denunciando as práticas devastadoras das fontes da Vida, estimulando uma profunda “conversão ecológica” de toda a sociedade (LS, 217). Precisamos ter ciência de que não somos proprietários da natureza, generosamente doada para o bem viver em harmonia. Somos “peregrinos e passageiros” (LS, 67), outras gerações virão depois de nós. Faz-se necessário retomar e fortalecer o compromisso social da nossa Igreja, em sua missão profética, cultivando sempre a espiritualidade descrita na Laudato Sì. A Encíclica do Papa “deve chegar a todos que habitam este planeta” (LS, 03).

Por fim, motivados (as) pelas provocações deste Seminário e novamente iluminados (as) pelos ensinamentos da Laudato Sì, assumimos o compromisso de:

    Tornar conhecida a Repam, através do fortalecimento das pastorais sociais a nível diocesano e regional;   

    Articular e fortalecer as pastorais sociais, consolidando um Comitê da Repam a partir das dioceses do Sul do Maranhão, incluindo lideranças dos povos tradicionais e dos movimentos populares, com o apoio do Secretariado do Regional Nordeste 5;   

    Continuar o estudo e o repasse das propostas e orientações da Laudato Sì, envolvendo as mais diversas instâncias eclesiais e movimentos populares;

Entidades presentes no Seminário:

Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Imperatriz – Ascamari

Campanha da Fraternidade Imperatriz

Cáritas Regional Nordeste 5 da CNBB

Centro de Cultura Negra Negro Cosme

Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos – Carmém Bascaran

Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – CEBI

Comissão Pastoral da Terra de Balsas

Comissão Pastoral da Terra de Imperatriz

Comitê Cidadania de Imperatriz

Comunidades Eclesiais de Base - CEBs

Conselho Indigenista Missionário - CIMI

Conselho Nacional dos Leigos do Brasil - CNLB Imperatriz

Diocese de Balsas

Diocese de Carolina

Diocese de Grajaú

Diocese de Imperatriz

Diocese de Viana

Faculdade de Educação Santa Teresinha – FEST Imperatriz

Fundação Nacional do Índio – Funai

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis –Ibama

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio

Rede Justiça nos Trilhos

Legião de Maria

Ministério da Palavra

Movimento das Mulheres Camponesas - MMC

Movimento de Cursilhos de Imperatriz

Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB

Pastoral Catequética

Pastoral da Comunicação – Pascom

Pastoral da Criança

Pastoral da Juventude

Pastoral do Idoso

Pastoral Indigenista

Pastoral Social

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Balsas

Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão – SINPROESEMMA

Imperatriz, 12 de fevereiro de 2017