Brasilia, Brasil.- Los miembros del Consejo de Presidencia de la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil (CNBB, por su sigla en portugués) expresó que se encuentra “unida a los obispos y a las comunidades de todo el país” y acompaña “con espanto e indignación” las graves denuncias de corrupción política acogidas por el Supremo Tribunal Federal. En un pronunciamiento oficial titulado "Por la ética en la política", que lo hizo público la mañana de este viernes 19 de mayo, el episcopado brasileño expresó su preocupación por las denuncias según las cuales el presidente de la República en funciones, Michel Temer, habría comprado el silencio del diputado Eduardo Cunha, a través de un pago entregado en la prisión y que habría autorizado también #cualquier movimiento para evitar la delación.

La denuncia presentada ante el Supremo Tribunal Federal (STF) señala que el presidente Michel Temer fue gravado en una conversación comprometedora, en la cual pedía mantener el silencio del diputado cassado, Eduardo Cunha, mediante el pago de una “mesada en la prisión”.

Frente a esta denuncia, los obispos brasileños recordaron que según la Constitución, Art. 37, es deber de todo servidor público, principalmente los que detentan elevadas funciones, mantener conduta íntegra, so pena de no poder ejercer el cargo que ocupa.

Lea aquí el texto íntegro del mensaje:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017
P – Nº 0291/17
Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)
 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
 

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
 

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB