Karla Maria, SIGNIS Brasil*

João Carlos Romanini é gaúcho, frade capuchinho, jornalista, especialista em comunicação multimídia, diretor de Conteúdo da Rede Maisnova e Rede Tua de Rádio, além de conselheiro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) . Foi eleito presidente da Signis Brasil, Associação Católica de Comunicação, para a gestão 2016/2019.

De reconhecimento Pontifício, a Signis foi criada no país em 2010 e desde então converge no Brasil, associações católicas relativas à imprensa, cinema e vídeo, rádio, televisão e profissionais da comunicação.

Presente em diversos países do mundo todo, as Signis têm o objetivo de animar, unir, congregar e colaborar na formação de profissionais de comunicação, além de apoiar aos meios de comunicação católicos e de inspiração cristã de cada país, “na intenção de promover a comunicação para uma Cultura de Paz, em comunhão com a Igreja e atenta às realidades sociais e políticas”, confirma Romanini, o presidente brasileiro.

Na entrevista a seguir, Romanini fala da realidade e dos desafios que a Signis Brasil enfrenta em meio à conjuntura política, financeira e social que o Brasil enfrenta, como o de estar entre os países mais desiguais e corruptos do mundo. Confira a entrevista com o frade natural de Caxias do Sul.
 

1. Qual o maior desafio que a Signis Brasil tem hoje? 

Iluminados pelo decreto Inter Mirifica, um dos resultados do Concílio Vaticano II, em 1963, de aprofundar no cuidado e no uso dos meios de comunicação como instrumentos para a evangelização. Aqui na América Latina e Caribe, em todas as conferências que se aconteceram depois do Concílio, trataram do tema à Luz da realidade local e sempre incentivando a formação do clero e dos leigos para uma comunicação libertadora.

A V Conferência de Aparecida - SP (2007) nos desafia a ter presente o momento histórico em que vivemos: “Os povos da América Latina e Caribe vivem uma realidade marcada por grandes transformações que afetam profundamente suas vidas. Como discípulos de Jesus Cristo sentimo-nos desafiados a discernir os sinais dos tempos, a luz do Espírito Santo, para nos colocarmos a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio para que todos tenham vida e “para que tenham em plenitude” (Jo 10,10 – DAp, nº33).

Além disso, o DAp nos convoca a uma especial atenção aos novos “areópagos” e centros de decisões: “Queremos felicitar e incentivar a tantos discípulos e missionários de Jesus Cristo que, com sua presença ética coerente, continuam semeando os valores evangélicos nos ambientes onde tradicionalmente se faz cultura e nos novos areópagos: o mundo das comunicações, a construção da paz, o desenvolvimento e a libertação dos povos, sobretudo das minorias, promoção da mulher e das crianças, a ecologia e a proteção da natureza. E ‘o vastíssimo areópago da cultura, da experimentação cientifica e das relações internacionais’” (DAp, nº 491).

Vale ressaltar que o DAp, nº 484, adverte que a revolução tecnológica e os processos de globalização “formatam” o mundo. Com isso se faz necessário reconhecer as novas linguagens as quais podem favorecer maior humanização e cuidado com a Casa Comum. Essas linguagens configuram um elemento articulador das mudanças sociais.  Por isso, a Signis Brasil, em seu plano de ação, visa empregar os meios de comunicação a serviço da cultura paz, na defesa da vida, no serviço ao anúncio dos valores cristãos em espaços estratégicos, pois os formatos mudam, mas a Mensagem permanece.

Com isso, a Signis Brasil se compromete a continuar fortalecendo seu serviço numa ação colegiada com os membros e os veículos de comunicação associados, com o aproveitamento de experiências diferenciadas, formando assim uma gestão compartilhada. Com preocupação especial a uma postura profética da Igreja e na Igreja, não só do anúncio, mas da denúncia. 

Visando o protagonismo dos leigos, a Signis quer ser a casa desses missionários no mundo da comunicação para uma Igreja em saída, misericordiosa e dialogal.

A Signis também se compromete com uma comunicação geradora de vida, denunciando toda a forma de opressão e situações que causam vulnerabilidade, cuidando da casa comum e respeitando a diversidade, sejam elas de qualquer natureza, tais como indígenas, mulheres, negros, biomas, diversidade familiar, fenômeno das grandes cidades e cultura urbana, questões agrárias e todas as outras.

Que a partir da comunicação provocada e gerada por Signis somem-se muitas testemunhas da mudança que anunciam um presente e um futuro melhor num mundo diferente, ao mesmo tempo que se desmonta as situações de morte, se põem a construir situações de vida. Que os associados da Signis sejam sensíveis à justiça, à paz, à esperança, à alegria e ao amor.

2. Como é composta a Signis Brasil?

A Signis Brasil está organizada em setores de Rádio (que forma a Rede Católica de Rádio RCR), Comissão de Televisão, com um grupo que discute ações comuns e pautas conjuntas e transmissões, Comissão de impressos, com a tarefa de discutir e organizar ações conjuntas de pautas e discute a problemática do veículo impresso frente à digitalização. Reúne leigos, religiosos, CNBB, congregações, dioceses, que trabalham em ações de comunicação.

3. O país tem dimensões continentais, como acontece o trabalho tendo em vista as diferenças culturais e tecnológicas?

Possuímos uma rede de veículos de comunicação, que dialogam com suas realidades locais, e em algum momento do dia, das programações destes veículos,  falamos uma linguagem comum, usando programas de rádio e TV de cobertura nacional. Outro projeto que  temos são é as Pautas conjuntas, que são construídas e veiculadas em todas as plataformas.

4. Qual a realidade dessa rede de comunicação digital, rádio e tv hoje?

O Brasil vive um momento de mudança tecnológica, o Rádio está migrando par a o FM, a televisão migrando para o Digital, a gestão atual tem este desafio de consolidar estas mudanças tecnologias, porém não esquecendo a centralidade que é uma comunicação das verdades que a Igreja defende em sua comunicação.

5. Como essa rede de mantêm financeiramente?

Hoje além da contribuição dos associados, temos projetos de comunicação e comercialização  que nos sustentam, principalmente  pela Rede Católica de Rádio. A maioria dos projetos conjuntos é feito pela colaboração e investimento de cada veículo. Compartilhamos conteúdos e custos operacionais dos projetos.

6. De que modo o cenário político e econômico brasileiro tem impactado na missão da Signis, tendo em vista a realidade das redes de tv, rádio e redações?

Impactou muito, a atual economia restringiu muito as ações que a Signis se propunha. As empresas de comunicação encolheram suas produções e isso impactou também na qualidade das produções. Mas acreditamos que isto vai passar também. E como sempre os meios foram criativos, precisamos de um tempo de acomodação e iluminação para as próximas ações.

*Karla Maria é jornalista brasileira, autora do livro Mulheres Extraordinárias, Paulus Editora e duas vezes premiada com o troféu Dom Helder Câmara de Imprensa da CNBB.